2008, Estava com a minha mãe e com o meu pai na loja quando ela apareceu lá, vinha do médico e estava a chorar, sentou-se à minha frente, eu estava a fazer um desenho e parei quando ela lá entrou. A minha mãe e o meu pai pararam de fazer o que estavam a fazer e vieram para o pé de mim e dela. A minha mãe perguntou-lhe: "Que se passa? Porque é que estas a chorar?". Durante segundos só se ouviu a minha tia chorar. "Tenho cancro da mama" disse ela. Tudo parou naquele momento. Fiquei estático, não sabia o que fazer. Olhei para os meus pais depois para a minha tia. A partir daí só a minha tia e a minha mão ficaram a falar, eu fui com o meu pai.
Ela começou o tratamento, ficou sem cabelo. Tiraram-lhe o peito, tudo ficou bem, pelo menos aparentava que ia ficar bem. Ela recuperou e voltou a fazer a vida normal dela.
2011, Começou a ter dores fortes nas costas. Mais uma vez, foi ao médico. Desta vez, os rins estavam a deixar de trabalhar. Foi internada para ser operada para os rins voltarem a funcionarem normalmente. Mais uma vez correu tudo bem, mas ela não recuperou totalmente e todo o organismo dela começou a deixar de funcionar. Desde 2011 até ao dia 28 de Setembro de 2013, a vida dela foi sempre casa-hospital, hospital-casa.
No dia 28 de Setembro de 2013, ela estava com dores fortíssimas e não era capaz de andar. A minha prima, telefonou a minha mãe para ir a casa dela porque a minha tia estava a sentir-se mal. Ela foi lá, chamaram os bombeiros e ela foi para o hospital, mais uma vez. A minha mãe chegou a casa e disse para o meu pai: "Estou com medo daquilo que vai acontecer a partir daqui". Desde esse dia que esteve no hospital sempre em estado grave. E eu, eu nunca a fui ver, não tive coragem para o fazer. Não sei porque estava com medo. Ela desde que foi para o hospital, melhorou no primeiro dia, depois veio sempre a piorar.
16 de Outubro de 2013, Vim almoçar a casa porque tinha tarde livre. Cheguei a casa e vi a minha mãe a despachar-se e perguntei-lhe onde ela ia, ela disse-me que ia ver a minha tia. Não sei porque mas nesse dia perguntei-lhe se podia ir com ela, mas ela disse que não porque depois não chegava a casa a tempo do treino, e eu concordei. Lá foi a minha mãe, a minha cunhada e a minha madrinha vê-la ao hospital. Quando elas entraram no quarto onde ela estava, passado pouco tempo, a minha tia deu a ultima expiração. Eu não sabia de nada, cheguei a casa, eram 9 e meia da noite, telefonei para a minha mãe a perguntar se ela ainda demorava, ela disse que estava a vir para casa mas para eu comer qualquer coisa que ela ia chegar tarde. Eu comi e eram 11 fui deitar-me, os meus pais ainda não tinham chegado, estava sozinho em casa.
17 de Outubro de 2013, Eram 6 e meia da manha, o meu pai chegou ao meu quarto, eu estava virado para a parede e ele disse: "João" e eu respondi: "Sim?" "A tua tia morreu, agora não sei o queres fazer. Se quiseres vai à escola, se não quiseres quiseres não vás." Eu virei-me para ele e disse-lhe: "O que!?" "Sim, a tua tia morreu ontem à tarde" "Pai... Eu tenho de ir à escola porque vou ter teste hoje" "Está bem, mas podes continuar a dormir que e levo-te a ti e ao teu primo para a escola". Tentei dormir mas não consegui, dormir no máximo 5 minutos. Levantei-me, fui tomar banho, comi, tudo como um dia normal. Quando cheguei a escola fui directo para a sala. Um dos meus colegas de turma é vizinho da minha tia e disse-me: "Os meus sentimentos". Eu disse-lhe: "Obrigado". Fui para a aula, não tomei atenção nenhuma. Acabou a aula e fui ter com a minha namorada. Fui para a portaria da escola dela, à espera dela. Antes de ela aparecer veio uma das minhas melhores amigas, abraçou-me e deixei-me ir um pouco a baixo, mas fiz esforço para não chorar. Depois veio a minha namorada ter comigo. Estive com ela, mas mal falamos. Vim para a escola e fui comer. Depois fui para a minha sala. A minha melhor amiga chegou ao pé de mim e eu disse-lhe o que se tinha passado, quando acabei de falar comecei a chorar abraçado a ela. Ela acalmou-me e depois fui para a aula. Acabou a aula e vim fora da escola um bocado. Fui fazer o teste e a seguir fui-me embora para casa no autocarro, não fui capaz de estar mais tempo na escola. Vim para casa, fui ajudar o meu pai e à noite vim para casa. Cheguei a casa, comi e fui para o velório. Vi a minha tia... Fui ter com o meu primo, estava preocupado com ele. Ele tem 13 e a menina tem 8 anos e eles tinham perdido a mãe. Fui lá para fora e trouxe os meus primos cá para fora para eles não estarem lá dentro a verem a minha tia. Tentei os entreter, para não pensarem nela. Fomos para casa, o meu primo dormiu comigo.
18 de Outubro de 2013, O dia da despedida. Acordei, chamei o meu primo, descemos as escadas, comemos e despacha-mo-nos. Fomos à casa mortuária e depois viemos para casa almoçar. Depois fomos para o funeral. Eu estava bem, só tinha chorado ao pé da minha melhor amiga. Mas a minha mãe durante a missa, fui agradecer a todos os que tinham acompanhado a minha tia e toda a minha família durante estes 5 anos. Aí, sim, foi o que me levou mesmo a baixo e comecei a chorar até ao fim. Já repararam que existe mais uma estrela no céu? Pois é. É a minha tia.
Agora sim, agora podes descansar em paz. Sem que nada te afecte, sem sofreres, a seres feliz à tua maneira.
Tia eu prometo em todos os momentos proteger os meus primos acima de tudo. Obrigado por todos os sorrisos e abraços. Obrigado por teres existido na minha vida.
ÉS UM SEMPRE, UM DIA IREMOS VOLTAR A ENCONTRAR-MO-NOS.
João Martins

Olá! Pelo que contas, a tua tia devia ser uma verdadeira lutadora, pena lutar por tão pouco tempo, ainda tinha tanto para viver e para dar a conhecer aos teu primos.
ResponderEliminarOs meus sentimentos e força para toda a família!
A tuas palavras emocionaram-me, porque eu conhecia bem a tua tia e os teus primos que iram à Barafunda, por vezes à Net outras ter consultas com a Psicóloga. Faço as tuas palavras "que existe mais uma estrela no céu". Força para a toda a família...
ResponderEliminarJoão eu não te conheço, mas conheci muito bem a tua tia. Fui da turma dela, colega de carteira dela durante três anos. Foi muito bonito o que escreveste sobre ela. Deixa-me só acrescentar que ela era muito boa amiga, boa colega e com uma força e alegria de viver fantástica. Tenho pena de me ter afastado dela, mas a nossa vida levou-nos a rumos diferentes. Eu estive no funeral dela, mas não consegui ir vê-la. Beijo grande para ti e cuida dos teus priminhos!
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